O Velho Vo diante da República

 

"O modelo de Estado moderno é extraordinário na sua concepção e belo na sua formulação teórica. Igual a um bolo de aniversário, bem enfeitado por fora e bem mexido por dentro.

Pensou-se em tudo...até em separar a religião do estado para que esta não interferisse nas coisas da política – o chamado
"estado laico".

O Presidente para governar, no lugar do Rei !

Arranjo para dar certo: partidos políticos formados por eleitores filiados, de onde emergem os candidatos, pretensos pretendentes ao cargo público, os chamados quadros partidários e todo o povo, uma imensa maioria de eleitores apartidários, com a atribuição compulsória de eleger, pelo voto secreto, qualquer filiado postulante.

Tudo previsto na lei, para caracterizar o "jogo democrático".

O cofre para guardar o dinheiro arrecadado do povo, os impostos.

E por fim o grande dia: "o dia da cidadania" o dia em que o povo vota, escolhe os seus "representantes".

O dia das eleições, a "festa da Democracia". Pelo sufrágio universal - voto secreto - para a escolha dos legisladores para fazer as leis e dos governantes - hoje são todos chamados de políticos - para definir e formar o Ministério, escolher e nomear os encarregados dos cargos públicos – a burocracia governamental - e aqueles "austeros" homens encarregados de guardar o cofre e gastar judiciosamente o dinheiro proveniente dos impostos, taxas, e outras arrecadações, oriundas do bolso do povo, e os tribunais de conta , para aliviar o trabalho do legislativo na função de conferir e fiscalizar o gasto do dinheiro público, ou seja, tudo para organizar e administrar a Rés Pública ou "coisa pública" e de acordo com o interesse público, em última análise, para "benefício do povo". E não esqueceram de instituir os Tribunais de Justiça para distribuir a justiça, defender o cidadão... qual cidadão?
...Diante do "poder" do governante: "guardar e proteger" a Constituição ; processar e julgar os crimes de responsabilidade ;

impedir a corrupção... Há!!! Há!!! Há!!! ;


enfim, dar sustentação ética ao poder político organizado que deve ser igualitário, portanto justo; equilibrado, sem truculência ou prepotência; e harmônico, com mecanismos de auto controle dos seus "poderes" para impedir a prevalência de um sobre o outro e não ter o Estado perdido.

Assim, idealizaram os "três poderes". Tudo dentro dos conformes, para evitar os erros das experiências mau sucedidas. Tudo ordenado numa Constituição, chamada Carta Magna, feita por uma Assembléia Constituinte.

Isto é o ideal da República e não mera ficção !

Casamento perfeito. Mas... e o poder de enganar? Não previram!!!

O homem sempre foi muito competente para organizar, mas nem sempre sabe realizar e manter o que organiza.

E cabe aqui a velha pergunta: Quem irá fazer tudo isso?

E, de fato, como "a teoria na prática é diferente" a execução esbarra na mentalidade medíocre do seu executante: o homem dicotômico. Claro que, em alguns casos, esse Estado se mostra promissor, porque existem homens sensatos.

No processo degenerativo da República já se fala em quarto poder, o do Ministério Público ou dos Procuradores: procurador de quem? E... procurando o que? E o quinto poder "suadamente" conquistado pela mídia.

 

O Velho Vo cita Montesquieu


"O
"Espírito das Leis" obra-prima de Charles-Louis de Secondat, Barão de La Brède e de Montesquieu,

parece peça de retórica para ornamento da democracia, pois fazem da lei, algumas vezes, um instrumento de opressão ou um meio para conquista de vantagens pessoais ou de interesse de grupos.

A Democracia, forma governativa que tem a virtude como fundamento, a lei como essência e o povo como detentor da soberania - Todo poder emana do povo - parece estar sofrendo a corrosão provocada pelo vício da política ou pela própria corrupção da república. Essa desconsideração dos princípios – a virtude cívil do respeito à lei, indistintamente, lei a que todos devem estar submetidos, do mais simples do povo ao Presidente - facilita o oportunismo e a manipulação do poder, ajustando a estrutura governamental às regras duma oligarquia, com todos os males daí decorrentes: Promulgam leis que suprimem a liberdade, cerceiam os costumes, restringem a cultura, embotam o pensamento, mantém privilégios e sobretudo leis que consolidam a desigualdade. E os mecanismos de defesa, para manter o equilíbrio dos poderes, não funcionam, desfigurando e desqualificando irremediavelmente a República".

 

O Velho Vo diante do Povo

 

"E o povo?

Ah! Sim, o velho povo,
a multidão, em nome do qual se faz tudo isso, continua sendo chamado para a próxima eleição, pelo canto da sereia dos enganadores, dos hipócritas, dos oportunistas, e até daqueles que, sinceramente, querem o bem geral.

Na realidade o povo tem sua própria força, caminha com seus próprios pés e mantém a sua passada. Apesar de ser uma massa informe, que alguns chamam pejorativamente de
massa de manobra, possui, na sua síntese, a sabedoria, que lhe inspira a virtude da tolerância e da prudência. Enquanto atender ao chamamento das urnas é porque acredita nessa forma e no seu resultado.

Mas a solução não está na multidão. A solução está em cada um. Na medida em que você saiba
separar o joio do trigo estará mais apto a exercer o seu potencial político com acerto...

 

 

PAZ NA TERRA

...Afinal é esse potencial político que banca o espetáculo.

Quando você quer, acaba encontrando a saída. E você muda o espetáculo e mudam as regras.

Sempre foi assim :

"Vox populi, vox Dei"

 

T. da BRUXA . NITERÓI . 1986

 

Enquanto essa visão mais sublime não atinge o seu pensamento, você não contagia o próximo, como numa endemia, e tudo será mais demorado e continuará como "Dantes no quartel de Abrantes", isto é, continuará "toute la meme chose", ou seja, tudo a mesma coisa.

Entrementes, alguns aglomerados humanos mais periféricos ou onde as defesas são mais tênues, mergulham no caudal da violência e, sem recursos, ficam submetidos, ocasionalmente, pela "lei do mais forte" suportando, até quando DEUS quiser, as agruras dessa tragédia humana, onde as pessoas passam o tempo convivendo, enquanto suportam, com as escaramuças da guerra civil que vai se instalando e se alastrando nas camadas mais humildes da população.

Como dizia Hobbes: o homem vivendo a lógica do estado de natureza".

 

"Entretanto, quando num governo popular as leis não mais são executadas, e como isso só pode ser conseqüência da corrupção da república, o Estado já está perdido".

Montesquieu


AVANTE

 

 

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