Nos idos de 2000...naquele ano da passagem para o Terceiro Milênio, foi dito:

 

COMO SE CONSTRÓI A PAZ !

Quando escrevi o texto do livro: BALÃO ! O PEREGRINO DO TEMPO, disse, no capítulo "Os Amigos do Balão", que:

"Muitos são os ditos e escritos sobre balão de papel.

Uns condenam a atividade, mais por intolerância ou preconceito do que por razão de uma lógica coerente..."

Por que essa conclusão ?

Porque todo ato de censura, qualquer que seja a formalidade, provém da intolerância e do preconceito, distúrbios morais que indicam o desvio de caráter do ser humano. Sempre foi assim.

Porque quase tudo que fora publicado sobre o balão junino, por jornais e revistas, de 1975 a 1990, traduzia admiração dessa novidade da expressão cultural da gente, o balão junino, atualizado e aprimorado, saído do folclore das Festas Juninas, fruto da evolução espontânea e intelectual, de pessoas simples, com arte na alma, os seus artesãos.

Hoje, seu autor, o brasileiro comum, artista do povo, e o objeto da sua arte, o balão junino, cantado e exaltado nas músicas juninas do cancioneiro da música popular brasileira, ambos altruístas, necessariamente anônimos, não são reconhecidos na sua própria Pátria; pela lei estão proscritos, estão desintegrados, são anti-sociais, são excluídos.

Porque as coisas do povo são conquistas afirmadas, universais, derivadas do intelecto do homem e da mulher, do costume, generalizadas e mantidas na tradição pelos benefícios que trazem para as pessoas e para a sociedade, portanto são próprios da arte do ser humano e estão protegidos pela DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS, que não prescrevem e não podem ser vedados.

Assim, a mudança de comportamento "da mídia", ao longo dos últimos dez anos - do elogio passou para a mais abjeta das condenações - que resultou na proscrição dessa pura manifestação de regozijo da população, vem no curso da avalancha de uma mentalidade medíocre que se instalou no poder político, o que desfigura o fim da arte política: "o bem humano", sob a capa aparente e sedutora da preservação do meio ambiente e outras razões pouco convincentes.

Essa alteração, repentina e radical, desqualifica "essa mídia" perante a opinião pública e compromete a autoridade dos nossos dirigentes, diante da ação deletéria de agentes agressores oportunistas, que cobiçam o espaço livre para a introdução de elementos estranhos à cultura popular brasileira.

Agora, como exemplo, observem a forma sutil, figurada, que induz, pelo processo subliminar, a mente das pessoas, para aceitarem a impostura:

"O povo não faz cultura...

Já tem o livro, o cinema, o teatro, o rádio, a televisão, o futebol, o carnaval, para o entretenimento... Para que mais ?

Pipa ? O que é isso ? Linha com cerol ? - Hi! Hi! Hi! Isto é um instrumento de morte.

Solução mais simples: acabar com as pipas...

E a infância ? As crianças que se danem...encontrem outra diversão. Polícia neles...se insistirem, "porrada" neles".

E, com esse tipo de linguagem simulada, ainda utilizam a técnica de comunicação para consumar o embuste.

Assim procedem com relação a tudo que pretendem denegrir, isolar e eliminar.

Assim agridem os baloeiros e o balão junino.

E usam, indevidamente, para perpetrar esse crime, o artifício da imprensa escrita, falada e televisiva e a cumplicidade de comunicadores sem escrúpulo, prontos a cumprirem fielmente os objetivos das suas editorias de notícias, comprometidas com essa finalidade.

Torpe competência, que não percebe o mal que produzem ao desonrar as coisas do povo, para tentar impor elementos de outra cultura, que possam manipular, de acordo com o interesse mercadológico ou embotar a gente.

Para sensibilizar as pessoas sinalizam para a construção da "sociedade moderna", mas deixam um rasto de um sentimento mesquinho de desprezo pela arte, pela cultura, pelas tradições, pelo folclore, pelo costume, afinal, pelo ser humano. Na verdade querem uma sociedade de ausentes mais abrangente.

Entretanto, os fatos que escapam à manipulação do homem e "dessa mídia ocasional" vêem desmascarar e provar a mistificação de toda essa trama diabólica, urdida pela mente doentia da intolerância e do preconceito, que empurra todos, indistintamente, conscientes ou não, para o abismo da violência.

Mas, a história da humanidade não se esgota aí, tem exemplos próximos ou remotos que servem para reflexão sobre os atos que mutilam as liberdades e os desdobramentos daí decorrentes: delação, arbitrariedade, prepotência, ódio, truculência, perseguições, medo, terror...

Um povo sem identidade...Um povo sem vontade...Um povo cativo.

Brasileiros, acordem !!!

Essa tragédia humana deve cessar. Nessa maldade, já identificamos os mentores desse abuso contra o valor intelectual do povo e a metodologia usada para consumá-la e temos consciência do tempo que essa prática daninha acontece entre nós. Já vimos esse filme e outros, pelo tempo, viveram o seu epílogo.

A nação brasileira, formada de raças e gentes de diferentes partes do mundo, chega aos 500 anos e se desenvolve no pluralismo das suas culturas originais, devido o respeito às tradições dos povos formadores da nacionalidade.

A paz é o objeto supremo da alma.

Logo, se dela queremos usufruir, devemos produzir modos para calar a ação opressiva, inibindo ou impedindo idéias ou instrumentos que estimulem a insídia, a desagregação da nossa incipiente sociedade de pessoas que devem ser iguais, solidárias, fraternas e livres.

 

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