O presente trabalho foi iniciado em 1mar2009 e terminado em 31mar2009.

Autor: Humberto Pinto Cel 

A SANHA DOS MANIPULADORES E O ABUSO DA LINGUAGEM NA MÍDIA TELEVISIVA

     Novos tempos...

   Um alerta para os nossos contemporâneos...

   Faz bem à gente a escrita para esclarecer pessoas que vivem neste Mundo Maravilhoso, mas, conflitado, particularmente, a escrita para os mais novos, que não presenciaram melhores momentos, mais agradáveis e, portanto, mais promissores do que os atuais.

    Faz bem à gente a escrita para esclarecer sobre o atual momento de violência que se instala entre nós e se expande às populações de algumas cidades e do campo, que constrangem todos e ofusca o caminho a seguir para mudar o rumo dessa tragédia geral.

    Faz bem à gente a escrita para esclarecer sobre a sensação de impotência que contamina todo esforço desenvolvido para atingir o eixo da prosperidade.

    Faz bem à gente a escrita para esclarecer sobre as circunstâncias que incitam uns contra os outros.

    Enfim, é boa a escrita para clarear o caminho às novas gerações, nascidas após 1950.

    Por que 1950? Porque é um marco na História do Brasil. Nesses idos eu tinha 13 anos e aconteceu a Copa do Mundo de Futebol , em nossos campos. 1950 foi o ano em que, pela primeira vez, a telinha, esse aparelhamento de imagem e som, para gáudio de todos, apareceu na frente das pessoas. Éramos, mais ou menos, 60 milhões de brasileiros espalhados por um imenso território. No início, uns; depois, milhares; hoje milhões de pessoas permanecem sensíveis aos estímulos da televisão . Hoje, somos mais de 180 milhões de pessoas...

    Naqueles tempos, a ação de falar para o povo, isto é, os meios de produção do entretenimento e de divulgação dos acontecimentos, que a inteligência humana criara, fora a imprensa escrita, o teatro e o cinema, se realizavam pelo Rádio. Este sistema, transmissor-receptor, desenvolvido por Marconi, executava a função de produzir, transmitir e receber as ondas eletro-magnéticas. O receptor, também chamado rádio, ligado à rede elétrica, recebia e reproduzia os sons decodificados e, assim, ouviam-se os programas, as novelas, as músicas e as notícias, pelo sentido da audição. Mas, era uma engenhoca que nem todos possuíam.

    Vale lembrar: as linguagens transmitidas pelos veículos de comunicação passaram a influenciar na conduta das pessoas.

   Nos idos de 1945, a 2ª. Guerra terminava e a notícia era transmitida, repetidas vezes, com grande intensidade, pelas emissoras de rádio. Isso alegrava a todos... Dias depois, nas cidades, os balões subiram aos céus para saudarem a chegada dos nossos pracinhas, que retornavam da Itália. Celebrações espontâneas, em regozijo, nos momentos festivos de grande apelo popular.

   Bem, ainda voltando no tempo...

  A sociedade brasileira, iniciada com a chegada de  Pedro Álvares Cabral e dos portugueses, em 1500, formada da união de índios, brancos e negros, de poucas tradições herdadas da nobreza européia, edificada sobre desigualdades latentes, ainda assim, desenvolvia seus hábitos.

   Nos tempos da guerra, no início da noite, no Cachambi , nossos pais se acomodavam nas calçadas das nossas casas, com vizinhos, enquanto nós brincávamos nas proximidades. Nos fins de semana, o privilégio de alguns: ter um dinheirinho para ir ao cinema. Você, mais velho, lembra? Do cinema mudo, sem cores, de Charlie Chaplin, o Vagabundo Carlitos – e dos: Stan Laurel e Oliver Hardy: o Gordo e o Magro e, mais a frente, as aventuras de Flash Gordon . Tudo isso, hoje, os mais jovens encontram, como referência, na Internet...

   Sim, terminava mais um conflito entre povos... Parecia o início da bonança: "depois da tempestade vem a bonança".

   Ainda guardo na memória algumas situações de desconforto que ocorriam na nossa cidade do Rio de Janeiro: escassez de alimentos e a interrupção da iluminação, durante as noites, para manter a cidade às escuras. Na época não conhecia as razões para tais situações, pois estávamos longe da área da guerra, e, ainda criança, naturalmente, estava voltado para outros tipos de atrações.

   O fim da guerra, na prática, anunciava um raiar promissor, acabavam-se os confrontos bélicos entre povos... Pelo menos uma pausa para o retorno das tropas e o necessário descanso...

   Mas, nos tempos do pós-guerra e atuais, lamentavelmente, outros conflitos ocorrem, mostrando que o ser humano ainda não encontrou o modo da convivência.

   Uma observação: durante todo o percurso do desenvolvimento da Humanidade o homem e a mulher, em geral, ajustam o viver em função dos grandes fatos e se adaptam diante dos novos inventos.   Assim, no campo, desde o advento da agricultura e na cidade, as pessoas estão sempre revendo seus procedimentos diante dos novos instrumentos de trabalho ou das comodidades surgidas.

   O recurso artesanal, os meios de fortuna e a ciência são as fontes que facilitam o progresso.

   No mal uso dos sistemas eletros magnéticos e eletrônicos: o telégrafo, o telefone, o rádio, a televisão e hoje o computador e a internet, está o ponto de partida da degeneração do tecido social.

   Na Democracia, regime de governo, estes instrumentos disponíveis para influenciar pessoas estão no alcance de qualquer um. Aí está o novo desafio: se vivemos entre o bem e o mal e o mal é indesejável, por que não fazer da televisão um instrumento para provocar o bem? O bem em proveito do ser humano. Isso deve ser o desejável. Mas essa intenção só é possível quando há predisposição das pessoas, quando o primado da harmonia preside a mente humana.

   Skinner, Burrhus Frederic Skinner, psicólogo norte-americano, nascido na Pensylvania, em 1904, insigne professor de psicologia de Harvard (1948-1957), abordando os assuntos do condicionamento e da aprendizagem, dá ênfase a importância do reforço, ou seja, a influência dos procedimentos, dos fatos, ou tudo que possa sensibilizar o ser humano, no comportamento. Ele destaca três maneiras de aprender: pela imitação, pela experiência do outro ou pela experiência própria.

   Fazer o bem é necessário, é sinal de respeito. Afinal, o bem é pressuposto da convivência.

   Se você precisa de ajuda, o normal é chegar alguém para ajudar você e não para agredir você, como tem ocorrido nos dias de hoje.

   Se alguém pede socorro e você se apresenta para prestar o socorro não é normal você violentar a pessoa que está num momento de dificuldade.

   Você pensa assim? Pois deve ser assim! As pessoas devem ser estimuladas para procederem dessa forma. O sentido da solidariedade na ação e não ação sob impulso do instinto animal.

   Não esqueça que a paz é o objeto supremo da alma.

   "O uso da televisão aumentou enormemente depois da Segunda Guerra Mundial devido aos avanços tecnológicos surgidos com as necessidades da guerra e à renda adicional disponível..." Wikipédia.

   A Televisão, no Brasil, foi se expandindo no decorrer dos últimos 50 anos e as pessoas se habituam ficar em torno da telinha e permanecer dentro das casas, como numa sala de aula à espera dos professores. Essa é a nova escola, de currículo aberto, pedagogia sem rumo, que divulga idéias, fatos, dados e informações, incessantemente, sobre a mente das pessoas de todas as idades e diferentes capacidades de compreensão.     Para alguns observadores: "um fato enganoso transmitido pelas ondas de televisão é mais destruidor do que: Os Canhões de Navarone".   

  

 

 

 

"Bicho homem" e "nossa natureza animal" são expressões que a telinha propaga para afastar o ser humano da sua dignidade, é o circo do homem macaco, que confunde tudo e mantém o homem na tábua rasa.

    Esse é o erro inicial. O primata sendo apontado como ancestral do homem, do livro: "A Origem das Espécies" ,  de Charles Darwin. Você acredita nessa falácia?

    Você se vê assim? 

    Qualquer semelhança é mera coincidência.

 

 

 

 

 

 

 

 

    Por força dessa propaganda diuturna os indivíduos são afetados e uma revolução no comportamento está em curso, no viver individual e coletivo das pessoas: "mens sana in corpore sano", fica comprometido pelos ingredientes levados pelas ondas da nova engenhoca. Com esse meio, enfim, globalizado, para atender o anseio, pelo menos dos que conseguem ver a novidade, tem início o processo de massificação e a conseqüente mudança de atitude das pessoas. O egoísmo passa a prosperar, na relação pessoal.

    Na mídia televisiva, na gana pela audiência e na pressa da apresentação dos fatos, ocorrem os descuidos: exaltam a mentira, mascaram as contradições e igualam os contrários. A banalização do erro e os efeitos conseqüentes , no conviver, são desastrosos.

    Hoje, quando aparece na telinha da sua casa, na sua televisão, esse turbilhão de notícias, dos mais variados assuntos e origens, você custa a acreditar no que vê e ouve e fica se perguntando: por que isso tudo está acontecendo? As pessoas se matando, as pessoas se agredindo, as pessoas se roubando, as pessoas se violentando...

    No Brasil, em certos círculos de gentes, uma "criança de rua" vale menos que uma árvore ou um animal...

    "O homem lobo do homem...", dizia THOMAS HOBBES. Mas, essa lógica deve prevalecer?

    Mas, a televisão é a liberdade! Liberdade de pensamento, liberdade de expressão, liberdade de comunicação...O biombo onde se produz para a licenciosidade.

    Sim, atrás das câmeras, está o novo vilão e a casa da gente passa ser lugar comum do entulho dos oportunistas mercantis. O vilão, livre, enrustido e protegido. O alvo? As mentes, como definem os mais prudentes. E lá, nos bastidores, perambulam os predadores da mente, nos escaninhos da grade de programas, permanecendo em estado latente, prontos, na oportunidade, para atuarem como verdadeiros cupins da mente.

    A compulsão da mentira, a exaltação da idiotice, a vulgarização dos comportamentos degenerados e a promoção dos vícios, são os produtos oferecidos e justiça não interessa.   

    Nos recantos da desgraça, sob o escudo da ficção, fazem reviver os monstros e estes, personificados em psicopatas virtuais, saem das telinhas e atuam livres no corpo social. E o resultado de todo esse processo degradante nós vemos no dia a dia, nas ruas, na besta da Violência .

    Mas, a televisão é a liberdade! Liberdade de pensamento, liberdade de expressão, liberdade de comunicação...O biombo onde se produz para a licenciosidade.

    Alguém já disse e volto a repetir: o bem é necessário, o mal precisa ser propagado para ser imitado.

    Assim, os vilões pululam, para glória dos seus criadores, pelas desgraças que causam... E as vitimas, dessa tragédia humana, simplesmente, realimentam os espectros da destruição.

    Os ideólogos da "escola do mal", midiática, reduto da mistificação, com seu espalhador de vírus pela telinha e na certeza da compulsão dos seguidores, mentes fracas, simples cópias, na vida real, dos degenerados fictícios, produzem toda uma torrente de desgraças que enlutam a nossa gente e que a própria telinha reprisa, sem qualquer escrúpulo. Moral da história: "semeiam vento e colhem tempestade" e, depois, com cinismo, reclamam das feridas provocadas pelo mal que espalham.

    Vale repetir, e repetir por milhões de vozes: que o bem é necessário e o mal precisa ser propagado para ser imitado, é o que fazem hoje os oportunistas mercantis e os predadores da mente, incrustados nos encostos de certas editorias da mídia televisiva, no Brasil.

    Mas, a televisão é a liberdade! Liberdade de pensamento, liberdade de expressão, liberdade de comunicação...O biombo onde se produz para a licenciosidade.

    Quem sabe...Um dia teremos a Paz!

 

 

 

 

FIM

 


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